quinta-feira, 2 de julho de 2026

 A noite dormia em transe 

Morte lenta sem sentido

Cheiro de terra molhada

Desatre com corte profundo

Conto palavras vazias

Microfone para descrever

Censura em dia de sorte

Gramática censurando poemas

O sol sozinho se vai

O Silêncio refaz o caminho

Vazio em tarde de chuva

Constelação sem brilho

Em céu sem paixão 

Mar aberto pede passagem

Floresta densa abre caminho

Frio em noite de lua

Selva pedindo abrigo

Orvalho de manhã 

Molhando grama seca 

Espera constante pela

Insanidade do vento

Que busca abismo

De um sorriso selvagem

Sapateando amor, perdão 

Buscando sermão do padre perdido

Relva

Simbólico 

Dor

Paixão 

Perda

Morri

Vivi

Sofri

Chorei

Voltei

Muito ruim, reconstruir

 Céu arrebol

Com nuvens brancas ao redor

Vermelho alaranjado

Contemplando a cor do sol


Carta de amor

dissabor

Desamor

Gotas de lágrimas molhando papel


Em construção 



Sequencia de partido

Estrada de chão sangrenta

Coração partido de despedida

Um vento que vai e não volta

Revolta constrói barreiras


É vida entorpe

Morte singela 

Beira de sorte

Varal sem roupa 

Noite sem lua


É  rio, mangue, é mar

É canção de orixa

Alívio pra alma

Pés pra caminhar


É sorte de quem corre

Terra sem chão 

Corrente de espinho

Sorriso de solidão 


Torrente de sombras

Amor sem paixão 

Pulo sagrado

Vazio, buraco em vão 


Verso sem canção 

Poética sem sentido

Escrita de alívio

De um dia triste


Dor pra sentir

Deixar ela vir

Parar pra ouvir

Sofrer sem cair


Permissão de si mesmo

Olhar o seu dentro

Falar pro seu íntimo

Parar...respirar... e chorar.




Partido

No semblante encontro tristeza

De um amor que se foi

De uma voz que se vai

Que ser desfaz


No silêncio da vida encontro solitude

De presença ausente

De amor que reinou

De pássaro que voa


Na cama vazia encontro imagens

De espaços ocupados

De manhã sem café 

De sonho sem vida


Na cozinha bagunça deixada

O ventre sangrando

A dor da saudade

Com cheiro de chá.


sábado, 16 de maio de 2026

Yolanda


YOLANDA

Eu sempre me pergunto: 

Será que já houve nesta vida uma mulher tão amada quanto Yolanda.

 Já se imaginou ser amada como ela por apenas um segundo?

Sentir a brisa leve no rosto...a folha de outono caindo lentamennnnnte e atravessar o corpo até cair ao chão?

Sentir o ar entrando... passeando pelo íntimo, até encontrar um aconchego?

Um amor que não pede nada em troca, que compreende e consegue entender que sua amada precisa dividir afetos com os seus.

Eu procuro por tantos lugares mulheres que foram ou são amadas como Yolanda.

Talvez eu nunca encontre.


4- YOLANDA - DAYSE BARBOSA - 2026 - BRASIL


2- YOLANDA - INGRID ESCAMILLA - 2020 - MÉXICO 


1- YOLANDA - LUCIA PERES - 2016 - ARGENTINA


3- YOLANDA - ESMERALDA RICHIEZ - 2023 - REPUBLICA DOMINICANA


sexta-feira, 1 de maio de 2026

Em construção



Tem dias que o mundo não gira, que a roda vira perdendo seu tempo, perdendo o momento, perdendo o sentido, perdendo amor.

A roda é reversa, que talha o sangue, a boca que seca, que rasga o lábio, trazendo a dor.

É roda que trava, garganta inflamada, o estômago grita, é corpo que treme, 

e o coração acelera, são batidas timizadas de acordar com o seu andar, com o seu cansar.

No peito um grave pulsar, uma batida que começa do coração e se espalha pelos pulmões.

É doença que chega sem avisar, consequência do seu calar, dissabor do seu caminhar

Mórbida vida, sem desejo, sem rodar, no sentido correto, talvez sem afeto, pra afetar.


quarta-feira, 18 de março de 2026

Realeza


Eu não tenho boa lembrança, mas algo aconteceu. As vezes parecia fragmentos, outras reflexos, mas, me senti imponente, altiva. Da nobreza, sabe? 

Estava em outra esfera, ou em outra vida. Não havia ninguém por perto, mas eu me bastava, eu me popularizava, me senti completa, não por causa da beleza, mas porque algo dentro de mim se sentia em paz. 

Na cabeça uma trança gigante, formando um moicano lindo, entre cada trançado passavam fios de ouro que embelezava a rainha, substituindo uma coroa real.

Um vestido dourado, feito cor de oxum, nele um decote proporcional a curvatura do colo, no pescoço uma peça rara, fabricada exclusivamente para a ocasião. 

Eu tinha um sorriso no rosto, estava feliz. Talvez porque eu não fazia mais parte desse sistema que corrompe, destrói, mata e oprime.

Não existia presença de outros seres, era apenas eu, eu e eu. A sensação gostosa de que eu era única tomou conta de mim de tal maneira que não havia necessidade de encontrar ninguém. A importância ainda está aqui, ainda corre na veia o sangue nobre, raro, de quem apenas dormia.

Sonho em 17/03/2026.