quarta-feira, 18 de março de 2026

Realeza


Eu não tenho boa lembrança, mas algo aconteceu. As vezes parecia fragmentos, outras reflexos, mas, me senti imponente, altiva. Da nobreza, sabe? 

Estava em outra esfera, ou em outra vida. Não havia ninguém por perto, mas eu me bastava, eu me popularizava, me senti completa, não por causa da beleza, mas porque algo dentro de mim se sentia em paz. 

Na cabeça uma trança gigante, formando um moicano lindo, entre cada trançado passavam fios de ouro que embelezava a rainha, substituindo uma coroa real.

Um vestido dourado, feito cor de oxum, nele um decote proporcional a curvatura do colo, no pescoço uma peça rara, fabricada exclusivamente para a ocasião. 

Eu tinha um sorriso no rosto, estava feliz. Talvez porque eu não fazia mais parte desse sistema que corrompe, destrói, mata e oprime.

Não existia presença de outros seres, era apenas eu, eu e eu. A sensação gostosa de que eu era única tomou conta de mim de tal maneira que não havia necessidade de encontrar ninguém. A importância ainda está aqui, ainda corre na veia o sangue nobre, raro, de quem apenas dormia.

Sonho em 17/03/2025.


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