segunda-feira, 13 de junho de 2016

O abrir e fechar das cortinas





Abrem-se as cortinas, vê-se apenas uma penumbra, aos poucos seres vão surgindo, bulindo singelamente enquanto a luz se intensifica. A música suave qualifica os movimentos completando um cenário simples. Liberdade no corpo, liberdade que vem do fundo da alma, novos movimentos vão surgindo, agora não mais suaves, mas, impetuosos. Olhos atentos deslumbram essa mistura de alegria, dor e solidão, são corpos que meneiam num espaço perfeito dividindo a emoção que emana de dentro para fora dando formas volúveis aos improvisos que compõem uma dança desconhecida, de linguagem metafórica.
Braços entrelaçados, pernas ao ar, giros constantes dão sentido ao balanço da dança, passos precisos, encontros de olhares e um conjunto de luzes, perpetuam a coreografia. Tanta inspiração e magia faz o palco estremecer, suspiros são arrancados da platéia e essa mesma vibração é resposta de uma verdade interior, uma verdade capaz de transformar a dança em poesia, o ritmo em alegria.

Fecham-se então as cortinas, vê-se apenas um negrume, os seres vão surgindo agora apenas para receber os aplausos excitados do público que é dominado por um prazer imaginável, sem reservas. Gritos intermináveis tomam conta do espaço levando todos sem exceção ao chamado estado de êxtase, resultando num prazer coletivo, um orgasmo artístico.

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